(adaptado do relato do
Rab. Issocher Frand)
“Deus é o nosso refúgio e
fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos
46:1)
Na quinta feira, dia
nove, entre uma reunião e outra, o empresário aproveitou para ir fazer
um lanche rápido em uma pizzaria na esquina das ruas Yafo e Mêlech
George no centro de Jerusalém.
O
estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê
percebeu que teria que esperar muito tempo numa enorme fila, se
realmente desejasse comer alguma coisa - mas ele não dispunha de tanto
tempo.
Indeciso e impaciente, pôs-se a
ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma
solução caísse do céu. Percebendo a angústia do estrangeiro, um
israelense perguntou-lhe se ele aceitaria entrar na fila na sua frente.
Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente
e saiu em direção à sua próxima reunião.
Menos de
dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador.
Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele
acabara de percorrer o que acontecera. O jovem disse que um homem-bomba
acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s... Moshê ficou branco.
Por apenas dois minutos ele escapara do atentado.
Imediatamente
lembrou do homem israelense que lhe oferecera o lugar na fila.
Certamente ele ainda estava na pizzaria. Aquele sujeito salvara a sua
vida e agora poderia estar morto. Atemorizado, correu para o local do
atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas
encontrou uma situação caótica no local. A Jihad Islâmica enchera a
bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder
destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito
pessoas morreram, sendo seis crianças. Cerca de outras noventa pessoas
ficaram feridas, algumas em condições críticas. As cadeiras do
restaurante estavam espalhadas pela calçada. Pessoas gritavam e
acotovelavam- se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de
alguma forma. Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas
ensangüentadas eram socorridas por policiais e voluntários. Uma mulher
com um bebê coberto de sangue implorava por ajuda. Um dispositivo
adicional já estava sendo desmontado pelo exército. Moshê procurou seu
'salvador' entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo.
Ele
decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o
israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.
Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e,
acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida. O senso de gratidão fez com
que esquecesse da importante reunião que o aguardava. Ele começou a
percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os
feridos no atentado. Finalmente encontrou o israelense num leito de um
dos hospitais. Ele estava ferido, mas não corria risco de vida. Moshê
conversou com o filho daquele homem, que já estava acompanhando seu pai,
e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso
por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua
vida. Depois de alguns momentos, Moshê se despediu do rapaz e deixou seu
cartão com ele. Caso seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o
jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.
Quase um mês
depois, Moshê recebeu um telefonema em seu escritório em Nova Iorque
daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de
emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela
delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets. Moshê não hesitou.
Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias.
Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu
amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque. Talvez
outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo senso de
gratidão. Outra pessoa poderia ter dito "Afinal, ele não teve intenção
de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila"... mas não
Moshê. Ele se sentia profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E
ele sabia como retribuir um favor.
Naquela manhã de
terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo - e deixou de
ir trabalhar. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele
dia onze de setembro de 2001. Moshê não estava no seu escritório no
101.º andar do World Trade Center Twin Towers.
REFLEXÃO:
“Por isso o Senhor esperará, para ter misericórdia de vós; e por isso
se levantará, para se compadecer de vós; porque o Senhor é um Deus de
eqüidade; bem-aventurados todos os que por ele esperam” (Isaías 30:18)
Fonte
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